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O
respeito à individualidade começa
na infância, junto à formação
do caráter de uma pessoa
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O
caminho da marginalidade tem início no processo
de exclusão. A rejeição do filho é o primeiro e principal
sinal dessa exclusão. Não conseguir, ou não aceitar,
enxergar a nova pessoa que nasce como um ser humano
único e diferente em sua individualidade, é o início
de todo e qualquer conflito existente entre as pessoas
em volta do mundo. Toda sorte de conflitos começa aí,
no nascimento, e prolifera-se através da educação dos
pais e pela influência da cultura local da região em
que a pessoa cresce, bem como dentro da escola onde
estuda, formando e desenvolvendo sua personalidade e
seu caráter. O não aceitar as diferenças por parte de
uma pessoa é conseqüência direta do fato desta mesma
pessoa não ter tido sua individualidade respeitada e
aceita, a começar por seus próprios pais.
Conflitos
religiosos, conflitos de gerações, e entre regiões,
pela disputa de território, conflitos tecnológicos e
científicos, conflitos econômicos, conflitos étnicos,
e muitos outros. A lista é interminável. Não enxergar
o outro como um ser igual em sua condição de humanidade,
ignorar sua individualidade, suas necessidades básicas,
seus anseios, suas ambições, suas satisfações e suas
frustrações, é um forte indício do processo de exclusão
ou manipulação social. E uma vez sentindo-se excluído,
o ser humano começa um processo árduo de auto-aceitação,
um conflito interno também é travado em sua mente, a
luta entre aceitar a exclusão, e caminhar para a marginalidade,
ou defender sua individualidade, mantendo-se fiel ao
seu caráter e à sua formação moral. As privações da
vida de uma pessoa ignorada por sua família, por seus
pais, e por aqueles que a cercam, empurram-na para uma
condição marginal, levando-a a sentir-se, até mesmo,
um ser repugnante, se sua auto-confiança não for muito
forte para recuperar sua auto-estima.
O
comportamento agressivo também é gerado na infância
pelo tratamento que a criança recebe de seus pais. Crianças
tratadas aos berros, agredidas em sua moral, oprimidas
pela falta do diálogo, ou até mesmo agredidas fisicamente,
têm muito mais probabilidade de se tornarem adultos
agressivos. A dignidade humana passa pelo respeito à
individualidade, a aceitação das diferenças, desde o
nascimento, prolongando-se por toda a existência de
uma pessoa.
Vejo
pessoas sendo tratadas como animais, como seres inferiores,
como se tivessem necessidades menores que outras pessoas.
A pobreza, a privação de determinados bens materiais,
que geram conforto e uma melhor qualidade de vida, levam
as pessoas a agirem como seres realmente inferiores,
como se aceitassem sua condição subumana.
Conflitos
via de regra geram e são gerados por preconceitos. E
o que é o preconceito? O preconceito é exatamente a
não aceitação das diferenças, o não respeito à individualidade
de cada pessoa. Cada pessoa é um ser humano único e
complexo, e ninguém tem o poder ou o direito de ir contra
modos de vida, tipos de cor de pele, situação econômica
ou social, desde que não lhe tragam prejuízo algum.
Crescei
e multiplicai-vos?
Realmente,
o mundo cresceu. E multiplicou-se. Mas cresceu desordenado,
e multiplicou-se na pobreza e nas desigualdades. Seria
mesmo esta a Lei de Deus?
O
incentivo ao desenvolvimento da massa populacional para
o consumo do produto das religiões, dos governos e das
empresas, é fato conhecido. E a manutenção da ignorância
dessa massa populacional faz parte do processo econômico,
social, político e religioso de um país. Quando isto
começa a se tornar evidente aos olhos dessa massa, esses
grupos detentores do poder começam a tentar se livrar
da responsabilidade da situação, agindo como verdadeiros
atores de teatro, televisão ou cinema, forjando uma
realidade totalmente diferente, onde eles passam a encarnar
o personagem do bom samaritano, humilde, bondoso e prestativo.
Algumas pessoas pertencentes a este grupo dominante,
de fato podem apresentar atitudes de resignação diante
do grito desesperado dos excluídos, dos marginalizados.
E minha percepção sensitiva me diz que realmente está
havendo um processo evolutivo na mente humana. O sentido
de comunidade está voltando aos tempos das pequenas
aldeias. A sensação de que atitudes ilícitas e/ou maléficas
podem a qualquer momento se tornar públicas a um nível
de alcance literalmente global, em decorrência da presença
da Internet, vem inibindo e mudando a mente de muitos
seres humanos.
Por
Gustavo Seabra 
quinta-feira, 18/07/02
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