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Na
moda não é diferente, temos
inúmeros
exemplos de grifes que não vendem simplesmente
produtos, mas vendem conceitos, idéias e estilo
de vida.
Para entender melhor o assunto,
começaremos
pela base: o que é marketing?
Muitos confundem o marketing
com a propaganda, mas na verdade, a propaganda é apenas uma das ferramentas
que compõem o marketing. O mix de marketing
pode ser definido em 6 P´s: produto, preço,
praça, promoção, pesquisa e pessoal.
Produto:
Características do que vamos vender,
como por exemplo, tipo de bojo, texturas, estampas,
tecidos, apliques, alças, ou seja, variedade
de produtos, qualidade, design, nome da marca, embalagem,
tamanhos, serviços, garantias, devoluções,
etc. Está ligado à pesquisa, praça
e preço.
Preço:
É o valor monetário, descontos,
concessões, prazos de pagamento, condições
de financiamento, etc. Está ligado ao produto,
pesquisa, praça.
Praça:
É o
lugar para onde iremos vender ou distribuir, mercado
consumidor, a área de
atuação, estoque, transporte, logística,
etc. Está ligado a preço, promoção,
pesquisa e produto.
Promoção:
Vendas,
publicidade, relações
públicas, eventos (desfiles, semanas de moda),
marketing direto, etc. Está ligado a todos os
P´s.
Pesquisa:
Pesquisa
de mercado, para descobrir quem é nosso
público-alvo, se o lugar em que tencionamos
comercializar é viável, os aspectos econômicos,
sociais e culturais dos possíveis clientes.
Aqui faço uma pausa para dizer que essa é a
parte mais essencial do marketing, pois ela nos dará respostas
exatas quanto ao público, o que nos poupará tempo
e dinheiro. Está ligada a todos os P´s.
Pessoal:
Como já dá para ver pelo nome, é a
gestão de pessoas que irão produzir,
vender e distribuir nossos produtos. Lembre-se sempre
que a primeira propaganda da empresa são os
funcionários. Todos devem “falar a mesma
língua”, do diretor ao faxineiro.
Numa seqüência lógica, o trabalho
deve começar com a pesquisa, para descobrir
a necessidade do mercado. Sabendo o que o cliente quer,
quanto pode gastar e do que ele gosta, fica muito mais
fácil desenvolver um produto, seu preço
e as características da praça onde será comercializado.
O próximo passo é treinar o pessoal para
fazer e vender o produto. Com tudo isso bem claro e
organizado, aí é que faremos a promoção,
que será muito mais eficaz e econômica.
Esses P´s podem ser trabalhados totalmente
dentro da empresa, através de um departamento
próprio de marketing, com a contratação
de funcionário(s) especializado(s) ou devidamente
treinado(s), como é o caso da maioria das grandes
grifes. Mas como isso é caro e difícil
(não é fácil conseguir profissionais
especializados) a solução pode ser contratar
uma empresa para cuidar das ações e planejamento
de marketing (que costuma ser a melhor opção
para empresas de menor porte).
Pelo menos uma atitude pode
ser tomada sem envolvimento de dinheiro, que é fazer uma pesquisa simples
com os clientes, funcionários e fornecedores
(veja matéria do consultor Cleison Vitor de
Oliveira na edição nº 10 da Cida
Molds, “Descubra como anda sua empresa”).
Mas se você ainda não montou o negócio,
e está na dúvida sobre o que e como montar
(e até mesmo se já estiver atuando e
tenha condições) meu conselho é a
contratação de um instituto de pesquisa,
que fará um trabalho preciso e ainda uma avaliação
exata dos resultados. Hoje existem vários institutos
regionais, como por exemplo o Tabulare e o Dataminas,
da região do Vale do Aço e outros de
atuação nacional, como o Ibope, Marplan,
Vox Populi, Ethos, etc.
De posse de todas as informações, teremos
um raio-x de nosso cliente e aí poderemos trabalhar
o conceito da marca e procurar o “algo mais” que
faz a diferença perante a concorrência.
Segundo a professora de Marketing
do Curso de Desenho de Moda da Faculdade Sta. Marcelina,
Gláucia
Ferro, “não é mais aquele modelo
de saia, aquele modelo de blusa ou de calça
que provocam suspiro de desejo, hoje os suspiros acontecem
pelas marcas das saias, blusas, calças e lingeries.
As marcas de moda refletem um forte conceito que, em
hipótese alguma, pode ser confundido com a marca
concorrente. É por isso que marcas como a Forum
que atinge classes sociais mais altas, cercou o mercado
com a loja-filhote, Triton, que atende a classe média.
Ou seja, cada marca com seu público, com seu
conceito. O mesmo ocorre com a Zoomp e a Zapping e
assim por diante” .
Afinal, como é esse conceito da marca? São
características e idéias que agradam
ao público-alvo da fábrica, e que embora
sejam intimamente ligadas ao conceito das coleções,
estão na raiz da grife. O conceito da coleção
reflete o conceito da marca, e é elaborado partir
dele. Veja dois exemplos:
Cia
Marítima — Conceito
de coleção:
liberdade de movimentos. Conceito da marca: jovem,
chic, esportiva = atitude.
Marcyn — Conceito
de coleção: liberdade
de movimentos. Conceito da marca: tecnológica,
acessível, responsável = confiança.
Daí podemos concluir que embora as duas marcas
tenham o mesmo conceito de coleção, trabalham
públicos diferentes, preços diferentes,
valores diferentes. Nem as peças dessas coleções
são parecidas. Portanto, não são
concorrentes diretas devido ao seu posicionamento.
O desafio é conseguir encontrar esse posicionamento,
o chamado “nicho de mercado”, construir
e passar o conceito da marca ao público. Se
você deseja fazer uma moda mais sofisticada e
vender por um valor mais alto, é necessário
que as peças publicitárias, a apresentação
do produto e o ponto de venda sejam mais sofisticados
também. Uma moda mais casual e esportiva, requer
menos investimento, mas o preço do produto não
pode ser alto.
O melhor é contratar
consultores independentes ou empresas especializadas
em marketing para conceituar e criar esses valores.
E para quem não dispõe
de verba ou tem medo de investir, procurar entender
a atuação do concorrente, o comportamento
do cliente, ouvir o que ele têm a dizer e assim
conseguir se posicionar melhor e vender mais.
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