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| Nascido
em 26 de julho de 1875, em Kesswil, Cantão
da Turgóvia, às margens do
lago Constança na Suíça,
Carl Gustav Jung
é fruto da união do pastor
protestante Johann Paul Jung, e da dona
de casa Emile Preiswerk, mulher culta que
incentivou Jung à leitura do Fausto
de Goethe em sua adolescência. |
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Na
infância, vivida no campo e em contato com a natureza,
Jung desenvolveu uma inclinação para sonhar
e fantasiar propiciada pelos livros da aconchegante
e tranqüila biblioteca de seu pai, onde leu textos
de filosofia e teologia que influenciaram em muito seu
trabalho depois de adulto.
As
idéias de Kant e Goethe já nutriam a mente
de Jung, quando ingressou nas Universidades de Basiléia
e Zurique para estudar medicina. Seu razoável
conhecimento de filosofia e o entusiasmo daí
originado, impulsionaram-no também ao encontro
das idéias de Schopenhauer e Nietzsche, que exerceriam
posteriormente forte influência sobre a construção
de sua Psicologia Analítica, nome escolhido
como alternativa à Psicologia Complexa,
termo já cunhado por Pierre Janet. Sua graduação
veio em 1902, após o que trabalhou na clínica
psiquiátrica da Universidade de Zurique, como
assistente do professor Eugene Bleuler, mantendo estudos
paralelos com Pierre Janet, em Paris. Seu interesse,
então, estava voltava-se para a esquizofrenia.
No
Teste de Associação de Palavras, Jung
chegou ao que denominou Complexos, definindo estes como
idéias ou representações afetivamente
carregadas e autônomas da Psique consciente.
O
renome internacional conquistado por Jung através
destes estudos, conduziram-no a uma colaboração
próxima com Freud, que conheceu pessoalmente
em 1907. Esta afinidade de idéias entre os dois
mestres, no entanto, deteriorou-se com a publicação
da Psicologia do Inconsciente, em 1912 (revista
em 1916). Com esta obra, Jung declara sua independência
da estreita interpretação sexual de Freud
com relação à libido, apresentando
os paralelos próximos entre as fantasias psicóticas
e os mitos antigos, e explicando a existência
de uma energia criativa maior (elan vitae) motivadora
da mente humana. Neste momento, Jung renuncia à
presidência da Sociedade Psicoanalítica
Internacional e funda sua própria Escola, incentivado
por outros colegas, pacientes e amigos. Jung era contrário
à formação de escolas e discípulos,
mas cedeu aos apelos de seus seguidores.
Jung
desenvolveu suas teorias traçando um amplo conhecimento
de mitologia (trabalhos em colaboração
com Kerensky) e História; recorrendo a diversas
culturas de países como México, Índia
e Quênia. Os
Tipos Psicológicos, nos quais se ocupou
do vínculo entre o consciente e o inconsciente,
propondo os tipos de personalidade, extroversão
e introversão, foram publicados em 1921, num
importante e posteriormente bem difundido trabalho.
Segundo
Jung, o inconsciente coletivo
— sensações, pensamentos e memórias
compartilhadas por toda a humanidade — compõe-se
do que ele denominou, tomando de Platão, “arquétipos”,
ou “imagens primordiais”.
Estes correspondem às experiências da Humanidade
típicas, como enfrentar a morte ou eleger um
companheiro, cuja manifestação simbólica
encontram-se nos mitos, nas grandes religiões,
nos contos de fadas, nas fantasias e na Alquimia, e
em especial nas obras de Paracelso e Picco della Mirandola.
Confrontando
o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente
coletivo, representado no arquétipo da Sombra
Coletiva, Jung sustenta que um paciente pode alcançar
um estado de individuação, ou a integridade
de um mesmo (O Deus Interior), através da reconciliação
dos estados diversos da personalidade, que ele viu divididos
não somente em contrários de introversão
e extroversão, mas também nas subvariáveis
pensamento, intuição, sensdação
e percepção.
Jung
escreveu volumosamente sobre metodologia analítica
e os laços entre a Psicoterapia e a crença
religiosa. Interessou-se muito pela Sincronicidade,
pela Alquimia e pelos estados alterados de consciência,
a ponto de criar o método de imaginação
ativa, surgido logo após a ruptura com Freud,
enquanto o crítico e polêmico livro vermelho
era por ele escrito.
Na
teoria psicoanalítica de Sigmund Freud, Jung
interpretou os distúrbios mentais e emocionais
como tentativa de encontrar integridade pessoal e espiritual.
Em especial, sua experiência com Psicóticos
foi decisiva para a aproximação com Freud,
pois o médico havia tido contato tão-somente
com neuróticos, basicamente as denominadas Histerias.
Carl
Gustav Jung faleceu em 06 de junho de 1961, em Kusnacht.
Pai da psicologia analítica e visto como um dos
grandes expoentes do século XX, deixou contribuições
científicas bastante significativas para o estudo
e compreensão da alma humana. As questões
espirituais, enquanto fenômenos psíquicos,
são refletidas em toda sua obra, numerosa e traduzida
para diversas línguas.
Entre
os principais títulos escritos por Jung, destacamos:
Transformações e símbolos da libido
(1912),
Realidade da alma (1934),
Psicologia e religião (1938),
Paracélsica (1942),
Psicologia e alquimia (1944),
Simbologia do espírito (1948),
Sobre coisas que se vêem no céu (1958).
Gustavo
Seabra 
quarta-feira, 09/07/2003 |