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| Em
geral, os pais apenas criam seus filhos.
Mas a educação requer que eles conheçam
o universo e o desenvolvimento infantil |
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Aparentemente
poderíamos dizer que educar e criar são sinônimos. Parecem,
mas na realidade não são. Na minha prática como orientadora
de pais na educação emocional de seus filhos, tenho
observado que eles "criam" seus filhos.
A
expectativa de uma boa criação reside em proporcionar
aos filhos uma boa casa, saúde, alimentação adequada,
escola, babá e informação. Isso sem falar na transmissão
de normas e de valores morais, sociais e religiosos.
Criar, neste sentido, representa uma série de obrigações
que devem ser cumpridas pelos pais, na medida em que
tiveram filhos, que os amam e que desejam o melhor para
eles.
Mas
será que amar e desejar o melhor é suficiente
para que as crianças sejam felizes? Qual é a qualidade
deste amor? É permissivo, egoísta ou exigente? O que
significa desejar o melhor para os filhos? Será que
é realmente o melhor para a criança? Ou para os pais?
Tais valores são os mais adequados para a personalidade
de cada filho?
Educar,
ao contrário, envolve conhecimento sobre o universo
psicológico infantil e de cada criança em particular.

Se
por um lado, é preciso humildade para reconhecer o não
saber, por outro, nossos filhos não devem se tornar
objeto das nossas experiências e do nosso amadorismo.
Também não devemos ser onipotentes, considerando que
uma vez educado um filho, sabemos como será a educação
dos demais. Podemos saber o que é criar, cuidar dos
aspectos práticos e materiais, mas não da vida emocional
dos outros.
Educar
implica fazer cursos, participar de congressos
e palestras, ler. Em resumo: profissionalizar-se na
arte de ser pais. Infelizmente, reconheço que muitos
acreditam que o período da infância não tem importância
e que as crianças não guardam na memória seus primeiros
anos de vida. Além de ser uma visão leiga, é incorreta,
pois a psicologia já demonstrou que a base da personalidade
se forma aproximadamente até os 5 anos. Nesta fase,
são impressos conceitos, valores e visão de mundo.
Isto
é muito sério e perigoso!
Sério porque serão estes os fatores que conduzirão a
vida da criança e determinarão o seu futuro. Perigoso
porque se não for a melhor escolha, pode significar
infelicidade. Os pais têm muitas opções, mas os filhos,
apenas a que os pais decidirem por eles. Educar,
portanto, é potencializar o desenvolvimento de um ser
humano do ponto de vista pedagógico e psicológico.
É
preciso que os pais aprendam a se individualizar e a
realizar-se enquanto seres humanos para que possam ajudar
os seus filhos em seu processo de crescimento, respeitando
seus gostos, suas carências, sua onipotência, sua impotência,
enfim, aceitando-os como eles são e não como gostariam
que fossem.
Só
quando os pais atualizarem seus conhecimentos
a respeito do mundo infantil e de suas necessidades,
criar poderá readquirir seu sentido original de suscitar
a criatividade. Só então, criar e educar serão sinônimos
de fato.
Por
Regina Elia, psicóloga

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Fonte: Revista Mãe
quarta-feira, 14/03/02
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