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  Criar e educar: sutil diferença
 

Em geral, os pais apenas criam seus filhos. Mas a educação requer que eles conheçam o universo e o desenvolvimento infantil


www.webshots.com

Aparentemente poderíamos dizer que educar e criar são sinônimos. Parecem, mas na realidade não são. Na minha prática como orientadora de pais na educação emocional de seus filhos, tenho observado que eles "criam" seus filhos.

     A expectativa de uma boa criação reside em proporcionar aos filhos uma boa casa, saúde, alimentação adequada, escola, babá e informação. Isso sem falar na transmissão de normas e de valores morais, sociais e religiosos. Criar, neste sentido, representa uma série de obrigações que devem ser cumpridas pelos pais, na medida em que tiveram filhos, que os amam e que desejam o melhor para eles.

     Mas será que amar e desejar o melhor é suficiente para que as crianças sejam felizes? Qual é a qualidade deste amor? É permissivo, egoísta ou exigente? O que significa desejar o melhor para os filhos? Será que é realmente o melhor para a criança? Ou para os pais? Tais valores são os mais adequados para a personalidade de cada filho?

     Educar, ao contrário, envolve conhecimento sobre o universo psicológico infantil e de cada criança em particular.

     Se por um lado, é preciso humildade para reconhecer o não saber, por outro, nossos filhos não devem se tornar objeto das nossas experiências e do nosso amadorismo. Também não devemos ser onipotentes, considerando que uma vez educado um filho, sabemos como será a educação dos demais. Podemos saber o que é criar, cuidar dos aspectos práticos e materiais, mas não da vida emocional dos outros.

     Educar implica fazer cursos, participar de congressos e palestras, ler. Em resumo: profissionalizar-se na arte de ser pais. Infelizmente, reconheço que muitos acreditam que o período da infância não tem importância e que as crianças não guardam na memória seus primeiros anos de vida. Além de ser uma visão leiga, é incorreta, pois a psicologia já demonstrou que a base da personalidade se forma aproximadamente até os 5 anos. Nesta fase, são impressos conceitos, valores e visão de mundo.

     Isto é muito sério e perigoso! Sério porque serão estes os fatores que conduzirão a vida da criança e determinarão o seu futuro. Perigoso porque se não for a melhor escolha, pode significar infelicidade. Os pais têm muitas opções, mas os filhos, apenas a que os pais decidirem por eles. Educar, portanto, é potencializar o desenvolvimento de um ser humano do ponto de vista pedagógico e psicológico.

     É preciso que os pais aprendam a se individualizar e a realizar-se enquanto seres humanos para que possam ajudar os seus filhos em seu processo de crescimento, respeitando seus gostos, suas carências, sua onipotência, sua impotência, enfim, aceitando-os como eles são e não como gostariam que fossem.

     Só quando os pais atualizarem seus conhecimentos a respeito do mundo infantil e de suas necessidades, criar poderá readquirir seu sentido original de suscitar a criatividade. Só então, criar e educar serão sinônimos de fato.

Por Regina Elia, psicóloga
www.escolareginaelia.com.br
Fonte: Revista Mãe

quarta-feira, 14/03/02

 

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